

Beijar Escondido –
Sinopses de Filmes Inesquecíveis com Beijos Inesquecíveis
Em busca de meus filmes inesquecíveis não podia deixar que este passasse em branco. Cary Grant e Deborah Kerr interpretam An affair to remember, história de Leo Mc Carey. O título para o Brasil ficou Tarde demais para esquecer. Quem não lembra dele? É realmente um filme para não esquecer.
Em busca de meus filmes inesquecíveis não podia deixar que este passasse em branco. Cary Grant e Deborah Kerr interpretam An affair to remember, história de Leo Mc Carey. O título para o Brasil ficou Tarde demais para esquecer. Quem não lembra dele? É realmente um filme para não esquecer.
Indicado para quatro Oscares em 1957 e ganhador do de melhor música, há 52 anos atrás. E isso é um bom início para esta sinopse. Se em 1953, em A um passo da eternidade, a própria Deborah Kerr foi protagonista com Burt Lancaster do primeiro beijo do cinema, parece que em 1957 os beijos ainda eram tidos como amorais e indiscretos. Neste filme não há beijos declarados, só escondidos ou quase beijos.
A história conta num primeiro plano sobre um Don Juan. Nicholas Ferrante (Grant) que viaja a Nova York num transatlântico para se casar com uma magnata americana. Na viagem conhece Terry McKay (Kerr), uma ex-cantora de boate que também está comprometida e se apaixonam, um pelo outro.
E num segundo plano, mas que é o primeiro, o filme também conta a história de Terry Mc Kay, uma moça que por não poder se encontrar com ela mesma não pode se encontrar com o homem.
E na primeira parte o roteiro nos coloca diante de situações engraçadas, quase um jogo de gato e rato. Ferrante foge do assédio dos outros passageiros e dos paparazzos de bordo. Quando ele conhece Mc Kay, ela encontra a cigarreira dele, o seu (dele) interesse é despertado e ele passa a segui-la. Ela aparentemente dando uma de difícil ou porque é comprometida ou porque, como ela mesma diz, está viajando sozinha, faz de tudo para evitá-lo. Entretanto, não é nada disso. É uma mulher que não pode se encontrar com o outro porque está sozinha, sozinha dela mesma. Este é o motivo de tantas resistências, dificuldade de encontrar o outro por não poder se encontrar. No final, e todos devem saber ao quê estou me referindo, será o ápice da dificuldade de encontro.
E na primeira parte o roteiro nos coloca diante de situações engraçadas, quase um jogo de gato e rato. Ferrante foge do assédio dos outros passageiros e dos paparazzos de bordo. Quando ele conhece Mc Kay, ela encontra a cigarreira dele, o seu (dele) interesse é despertado e ele passa a segui-la. Ela aparentemente dando uma de difícil ou porque é comprometida ou porque, como ela mesma diz, está viajando sozinha, faz de tudo para evitá-lo. Entretanto, não é nada disso. É uma mulher que não pode se encontrar com o outro porque está sozinha, sozinha dela mesma. Este é o motivo de tantas resistências, dificuldade de encontrar o outro por não poder se encontrar. No final, e todos devem saber ao quê estou me referindo, será o ápice da dificuldade de encontro.
Numa das paradas que o navio faz num vilarejo francês, Nickie leva Terry para conhecer sua avó Janou. Este trecho deve ser o responsável pela indicação ao Oscar de melhor fotografia. É lindo. Janou vive num lugar feito para cultivar as boas lembranças. Terry diz que gostaria de viver ali o resto de seus dias, ao quê Janou responde:
― Não querida. Aqui é um lugar para cultivarmos as lembranças felizes. Você é muito jovem, ainda tem que construí-las.
E na cena em que as duas tomam chá, a avó diz que teme que a vida possa apresentar a Nicolo uma conta alta demais para ele pagar.
― Não querida. Aqui é um lugar para cultivarmos as lembranças felizes. Você é muito jovem, ainda tem que construí-las.
E na cena em que as duas tomam chá, a avó diz que teme que a vida possa apresentar a Nicolo uma conta alta demais para ele pagar.
Após esta breve visita o navio entra em alto-mar e logo chegará à Nova York e o casal admite que querem ficar juntos. Mas tudo isso não é explícito e sim comunicado através de um clima apaixonado, mas ela sente o tempo todo um conflito entre o amor e a paixão que sente e gosta do que está sentindo e o que ela acha que deveria sentir: manter-se fiel ao compromisso e ter o controle sobre o incontrolável.
Mas é um filme de 1957 e é cheio de preconceitos. A personagem Terry é cheia deles. A avó de Nickie tem um empregado, Marius, que tem sete filhas. Janou diz que como o presidente havia dito que a França precisava de mulheres ele havia feito sete. Enquanto as mulheres tomam chá, Ferrante vai à casa do empregado visitar a família. Quando volta diz: ― Tive uma conversa séria com a mulher do Marius. Ao quê ela retruca: ― Deveria ter tido uma conversa séria com ele. Nesta observação ela mostra um ranço machista e preconceituoso.
Quando no navio, às vésperas de desembarcarem ela dá um bilhete a ele marcando um encontro para dali a seis meses, se nada mudar para nenhum deles – ela pensou tudo isso sozinha! Onde seria o encontro? No último andar do Empire State Building, o lugar mais perto do céu em Nova York.
E assim foi. Em seis meses ambos desfizeram seus compromissos (inacreditável!). Ela voltou a cantar em boate e ele tentou uma carreira de pintor de telas. Quando chega a tal data, ele foi mais pontual. Ela foi a uma loja de roupas femininas onde comprava suas roupas quando estava com seu antigo namorado, comprar um baby-doll cor de rosa (mas era hora de fazer isso? É difícil ou não para ela pensar em se encontrar?). As vendedoras avisam o ex, Ken, que ela estava na loja. Tudo isso colabora para retardar a sua saída. Já eram cinco minutos para as cinco horas quando ela vai ao encontro de Ferrante. Ela desce ansiosa do táxi não permitindo que ele a leve até o final de seu caminho. Enquanto atravessava a larga avenida, olhava para a torre do Empire State e é atropelada. A conseqüência foi ela não conseguir mais andar. Seu ex-namorado é avisado e acompanha seu tratamento. Ele quer avisar Ferrante, mas ela não permite.
Na primeira ocasião em que ela pode sair vão a um espetáculo de balé. Ferrante também vai ao mesmo espetáculo com sua ex. Na saída Ferrante passa pelo casal, ainda sentados, esperando que todos saiam. Só dizem “alô” um para o outro. Ken insiste pedindo que o deixe chamá-lo. É muito bonito da parte dele. Ele consegue se por no lugar do outro. Ele aceita que não tem mais o desejo dela e não vê Ferrante como rival. Ela não permite. Mas que menina difícil. E na volta dentro do carro, Ken pergunta por que ela não permite que ele pague pelo seu tratamento. Ela responde com argumentos engenhosos que só um ingênuo não percebe o quanto está difícil para ela receber ajuda: ― Eu tenho o meu trabalho e o meu orçamento. Viram a autopunição e a auto suficiência? E ele diz: ― É revoltante ver que todo mundo está saindo e eu tenho que te lavar para casa. ― É a vida, etc. e tal. Se antes do acidente, em condições físicas normais, digamos assim, já lhe era difícil qualquer tipo de encontro e ela já pensava em se isolar, imagine esta nova condição em que há de se considerar algum grau de dependência. “Eu tenho meu trabalho e meu orçamento”, um argumento aparentemente objetivo, mas que no subjetivo comunica um desejo de auto-suficiência existente dentro dela, também muito antes do acidente, e que foi reforçada por sua atitude preconceituosa.
E no dia de Natal, ela estava sentada em seu sofá com as pernas estendidas e cobertas por uma manta. A cadeira de rodas, como no teatro, não estava à mostra. No exato momento em que a senhora que a ajuda estava saindo, Ferrante chega. Acontece então um diálogo bastante estranho. Ela não quer responder perguntas e ele faz um jogo inventando uma história em que ele não havia comparecido ao encontro marcado e ela sim. E nesse jogo em que consegue enredá-la, ele conta como foi a experiência para ele de esperá-la até a meia-noite, durante uma tempestade.
Antes de sair ele dá à ela o xale que Janou deixou para ela e vendo-a coberta com o xale conta que a pintou com ele orando à Santa. Diz que não podia trocá-lo por dinheiro, mas não podia guardá-lo com ele. Permitiu que o seu marchand o desse a uma mulher que gostou muito dele, mas não podia comprá-lo. Ela era... então a ficha caiu. Ele vai até a porta do quarto e entra, deparando-se com o quadro. E foi assim que a notícia foi dada a ele.
Quando ele conclui que era ela a mulher faz uma fisionomia de dor, fechando os olhos e jogando a cabeça para trás. Vai até ela entre lágrimas e sorrisos solidários. Ela diz: ― Não me olhe assim! Não olhe assim como? Era o olhar de um homem apaixonado. Ela, sim, estava sentindo pena de si própria e achava que todo mundo sentia o mesmo. Ambos choram muito e ela promete a ele, a ele?, que vai voltar a andar. Quem soube?
Mas e o beijo? O beijo mais emocionante deste filme sem beijos explícitos acontece na primeira noite após a visita à Janou. Eles estão passeando pelo navio deserto, todos já estavam em seus aposentos, quando descendo uma escada ela pára no meio dela e o chama para retornar e beijá-la. E esse foi o beijo premiado desse filme. Isto aconteceu em 1957. Aconteceram muitos depois desse.
Nesta série ainda haverá muitos. Paciência.
http://www.gazetainsonia.com/visualizar.php?idt=1646715
Nesta série ainda haverá muitos. Paciência.
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