Aqui vai a primeira das sinopses da série: BEIJAR - Sinopses de filmes inesquecíveis com beijos inesquecíveis. Esta série foi concebida para falar de um único beijo, aquele que acho o beijo mais bonito de todos os filmes que já assisti. Mas resolvi fazer um suspense e virou uma série que me parece infinda. Ela já foi publicada no site do escritor: http://gazetainsonia.com/ , a primeira e o nome desta sinopse é o nome da série. Vamos a ela...
BEIJAR - Sinopses de filmes inesquecíveis com beijos inesquecíveis.
Outro dia, a Edna Lopes do Nascimento, uma nova amiga escritora do Recanto das Letras me anunciou que havia acontecido o dia do beijo, como se, lembrava sabiamente ela, beijo precisasse de dia marcado. Concordando com a sua observação acendeu-me a lampadinha do Professor Pardal que há muito não me iluminava. Como eu nunca havia pensado em escrever uma crônica sobre o beijar? Fechado. Este seria o meu próximo tema e fiquei a espera dos pensamentos que viriam a minha procura.
Passou um bom tempo e nenhum veio bater à porta do meu aparelho para pensar. Minha analista não concorda quando digo que estou em crise de criatividade, mas é ela quem é generosa.
Bem, até que enfim, certa manhã ela, a crônica não a analista, me aparece praticamente pronta a iluminar meu dia. Não se iludam, eu teria muito trabalho pela frente. Não é só inspiração, não.
Desculpem pela minha falta de originalidade, mas não consigo conceber melhor forma de falar em beijar do que descrever e classificar os meus beijos favoritos… do cinema.
E para não fugir muito do quê encontrei em sites de pesquisa (a originalidade se marcar presença será de outra maneira) apresentarei aqui o meu ranking que não seguirá uma ordem de preferência, pois criatividade é avessa aos ditames da razão.
Visitando páginas de beijos inesquecíveis do cinema me percebi parada, com uma ruga de interrogação diante de uma foto. Era Sean Connery beijando uma morena e a legenda dizia Jeames Bond, o beijoqueiro. Aquele homem magro e sem barba me diz pouco do Sean de quem procurei assistir a todos os filmes, inclusive o horroroso A Liga Extraordinária, acreditem. E, viajando diante do 007 pioneiro lembrei do beijo Conneryano que mais me atrai.
Lancelot – O Primeiro Cavaleiro com Sean Connery como Rei Arthur, Julia Ormond como Guinevere, Richard Gere como Lancelot e Ben Cross como Malagant tem beijos para todos os gostos.
É interessante notar que neste filme aparece aquela teoria freudiana da divisão das correntes amorosas: a corrente da paixão representada por Lancelot e a corrente da ternura representada por Arthur. Esta divisão das correntes, uma libido que precisa de dois objetos, a do desejo sexual que necessita de alguém que lhe sugira uma prostituta, alguém que se encontra constantemente em perigo e que precisa ser salva, e a do amor terno que lembra o amor dirigido à mãe e por isso não “combina” com desejo sexual acontece, segundo Freud, com homens, alguns homens.
Lancelot insiste em amar daquela maneira “desenfreada” tal qual é a sua vida de aventura. Apela à Guinevere que esqueça que é a princesa de um povo que corre perigo, sua identidade, que seu castelo está sendo salteado por Malagant, o rei mau. Ora Lancelot, que covardia. O quê este forasteiro está pedindo é fidelidade absoluta. Ele necessita tanto salvar a mulher amada porque sofre com uma fixação à figura materna. Perseguiu a mulher não por outro motivo, e sim porque sabia que ela já estava comprometida. O fato dela “pertencer” a um outro homem, e ele precisar arrebatá-la dele, intensifica o seu desejo por ela. Quando descobre que é a futura rainha, futura esposa de Arthur e será presenteada com uma égua selvagem a paixão ganha mais força.
Quando Lancelot luta com Malagant, numa batalha final sublimada, ele também está tentando salvar a mãe Camelot do pai mau. Ele conquista definitivamente a potência quando pode vencer a inércia e abrir as portas da igreja onde está preso o povo de Leonesse e depois pode chorar e decidir ir embora, ou seja, renunciar a mãe e deixá-la, desejando-lhe “o melhor”, com o pai.
Arthur sente, e chega a dizer à Guinevere, que quer viver com a mulher que se casar um momento “de graça”, o instante em que sentirá um calor semelhante a um raio de sol vindo dos olhos da mulher amada e escolhida a iluminar e aquecer o seu rosto, algo que é muito fugaz, dizem os sábios. Arthur sabe que falta uma parte importante na sua maneira de amar e que há um ponto de integração destas duas correntes. Sabe e quer que aconteça na sua relação com a Rainha escolhida, o amor, o desejo e o prazer do orgasmo. Ele diz: aceito virtudes e defeitos. Eu não amo partes das pessoas. Ele se encontra muito mais amadurecido que Lancelot. Sente esperança de uma integração maior.
E quanto à Guinevere, a mulher amada e desejada por dois homens? Freud fala pouco a respeito das mulheres. Ele confessou que a alma feminina compunha um verdadeiro enigma para ele. Deixemos então que a arte nos diga alguma coisa.
Guinevere diz a Arthur quando este lhe pede para que case com o rei, mas ame o homem que só conhece um modo de amar e é com o corpo, com o coração e com a alma. E quando é inquirida sobre o flagrante em que foi pega, beijando Lancelot, diz que o quê deu a ele foi apenas “um momento” e que é a sua (dela) vontade que a faz continuar vivendo e a sua vontade diz que quer ficar ao lado dele. “ – Quanta inocência! Mais inocência eu enlouqueço”. Ele tem uma certa razão em dizer isso. Naquele momento ele não era capaz de conceber a integração que ela já havia alcançado.
No final da história é o cavaleiro errante e aventureiro quem fica com a dama e governando Camelot, com as bênçãos de Arthur. Na minha humilde opinião, isso só acontece porque Arthur morre. Eu creio que Guinevere escolheria Arthur. Digo isso não só levada pela identificação que não estou livre, mas o perfil da personagem, de uma rainha que ama o seu povo e que tem dentro de si um amor maternal, escolheria Arthur.
E na cena final, quando vão cremar o corpo do Rei, se você notar bem, Lancelot ao olhar o corpo sendo incinerado no meio do mar tem, não consigo pensar numa outra forma de dizer, uma cara de bunda. Ele não queria a responsabilidade de governar a vida, dele e de outras pessoas que precisavam ainda de uma figura paterna protetora. Eu não tenho dúvida. Quem ia assumir o comando, não só de Camelot e de Leonesse, mas da situação era Guinevere. Ela já estava no governo do seu país depois que seu pai morreu, sempre aconselhada pelo velho e sábio Oswald. E porque pode se aconselhar, porque sabe que tem muito a aprender e que o outro tem algo valioso a lhe passar é sábia.
Mas e o beijo? Como escrevi acima há beijos para todos os gostos. Beijo de paixão, beijo de ternura. O beijo de minha preferência e foi ele que insistiu na minha lembrança acontece quando Guinevere chega a Camelot após ter sido seqüestrada por Malagant e correu risco de morte, seminua e enrolada num lençol e Arthur se encontra no altar orando (ele ficou orando enquanto outros saíram para salvá-la, ora Arthur!). Ela corre para os seus braços e o beijo acontece. Um beijo tão completo, de desejo, de amor, de saudades, de alívio, de gratidão pela volta, de votos de amor eterno, de convicção de que um quer estar e ficar com o outro, enfim, se você agüentar tanta inocência, assista.


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